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A história do Dispensacionalismo



Contexto

O dispensacionalismo é uma doutrina teológica com repercussões
na escatológica cristã, pois afirma que a segunda vinda de Jesus Cristo será um acontecimento no mundo físico, envolvendo o arrebatamento pré-tribulacionista e um período de sete anos de tribulação, após o qual ocorrerá a batalha do Armagedon e o estabelecimento do Reino Milenar de Jesus Cristo na Terra.

O dispensacionalismo é um sistema interpretativo da Bíblia que divide a sua história em dispensações (também denominadas épocas, eras ou períodos), que representam distintas interações entre Deus e a humanidade, a partir de pactos que foram
celebrados. De acordo com o dispensacionalismo, cada era do plano de Deus é assim administrada de uma certa maneira, e a humanidade é responsabilizada como mordomo durante esse tempo. As pressuposições dos dispensacionalistas começam com o raciocínio indutivo de que a história bíblica tem uma descontinuidade particular na maneira como Deus reage à humanidade no desdobramento de seus, às vezes supostos, vontades livres

Doutrina

O Dispensacionalismo é um sistema teológico que apresenta duas distinções básicas: (1) Uma interpretação consistentemente literal das Escrituras, em particular da profecia bíblica. (2) A distinção entre Israel e a Igreja no programa de Deus.

1 – Os Dispensacionalistas afirmam que seu princípio hermenêutico é o da
interpretação literal. “Interpretação Literal” significa dar a cada palavra o significado que corriqueiramente teria no uso cotidiano. Símbolos e figuras de linguagem, neste método, são todos interpretados de forma simples e óbvia, e de forma alguma se opõem à interpretação literal. Mesmo os simbolismos e falas figurativas possuem em sua base significados literais

2 – A Teologia Dispensacionalista acredita que há dois povos distintos de Deus: Israel e a Igreja. Os Dispensacionalistas acreditam que a salvação foi sempre pela fé (Em Deus no Velho Testamento; especificamente em Deus o Filho no Novo Testamento).

Os Dispensacionalistas afirmam que a Igreja não substituiu Israel no programa de Deus e que as promessas do Velho Testamento a Israel não foram transferidas para a Igreja

História do Dispensacionalismo

Retornando a uma escatologia futurista: A restauração da escatologia futurista primitiva dentro da igreja católica surgiu com o jesuíta espanhol Francisco Ribera (1537 – 1501). Ele projetou a profecia do anticristo para o futuro, ele propôs que o anticristo, um único indivíduo iria, perseguir e blasfemar contra os santos de Deus, reconstruir o templo em Jerusalém, abolir a religião crista, negar a Jesus cristo e destruir Roma.

Para conseguir isso, Ribera entendeu que o tempo de 1260 dias/42 meses seriam literal rejeitando a interpretação simbólica e como 1260 dias referente a anos.

Esses conceitos nada mais são que uma releitura da escatologia dos três primeiros séculos da igreja Cristã, porém foram absorvidos pelos idealizadores do
dispensacionalismo e acabaram sendo considerados como parte dessa hermenêutica.

O padre Manuel Lacunza

Tempo depois, um clérigo católico jesuíta chamando Manuel Lacunza (1731 -1801), nascido em Santiago no Chile, escreveu um livro que certamente influenciou na formação do sistema dispensacionalista.

Lacunza poderia ter absorvido grande parte do pensamento exposto em sua obra a partir de outros autores e do imaginário na sua época. A igreja católica aboliu a obra de Lacunza, pelo fato de atribuir a besta de apocalipse 13, ao corrompido sacerdócio romano. A base dessa interpretação foi transmitida tanto pelos adventistas quanto pelos protestantes.

Sua obra “ A Vinda do Messias em Glória e Majestade” foi publicada em 1811 na espanha e traduzida para o inglês em 1827 e publicada pelo pregador escocês Edward Irving, As ideias de Lacunza, via Irving influenciaram o dispensacionalismo e os milleritas ( Ex Adventismo )

Em 1827 esse livro passa a ser a base da mensagem pregada na casa do banqueiro Henry Drummond, em Albury Park, para o estudo de escatologia.

Jonh Nalson Darby – O início da sistematização

John Nelson Darby (1800 – 1822 ) foi o grande propulso de uma nova hermenêutica escatológica que surgia no século XIV, Trata-se da doutrina do de um arrebatamento pré-tribulacionista, que ficou conhecido no meio acadêmico da época como

“darbynismo”devido ao seu nome.

Essa nova interpretação provocou algumas mudanças tradicional na doutrina do pré-milenismo histórico sugerindo que o arrebatamento poderia ocorrer a qualquer momento, além disso, surgiu também a interpretação dispensacionalista, no qual divide os tempos bíblicos em economia ou dispensações, períodos no qual Deus lida com a raça humana de maneira específica durante as eras, promovendo então uma distinção entre Israel e Igreja dando a ideia de dois povos de Deus distintos.

Edward Irving – Adaptações e divergências
Irving, ministro evangélico em Londres (1792 – 1834 ), muito contribuiu para a
popularização do pré milenismo, ao se tornar carismático, foi obrigado a deixar a igreja da Escócia.

Irving também foi o primeiro a ter línguas em sua congregação e permitiu os “dons milagrosos” em sua igreja presbiteriana, fazendo com que os anciãos o
excomungassem e o deixassem de fora, então ele formou sua igreja católica apostólica na mesma rua em 1831.

Darby era cessacionista por isso, aceitou a maioria das ideias de Irving, incluindo a forma de observar a nova visão milenar das 70 Semanas de Daniel e um Anticristo

pessoas, porém resistiu fortemente ás “línguas estranhas” de Irving chegando até a chama-las de diabólicas.

Ladd (2016, p. 43) diz em seu livro que “essa interpretação futurista com o seu anticristo pessoal e o período de três anos e meio da Grande Tribulação só se estabeleceria na raiz da igreja protestante no início do século XIX. O primeiro protestante a adotá-la foi S.R Maitland.

Resumindo Ladd “por meio das ideias colhidas por Irving pelos escritos de Lacunza e posteriormente reivindicado por Darby como sua própria descoberta, a guerra dos milenares contra o papado foi desarmada. Pois se um anticristo pessoal dever vir após o arrebatamento secreto esse anticristo não poderia ser o papado atual.

Plymounth – A capital do Dispensacionalismo

George Eldon Ladd ( 2016, p 45) Em seu livro lembra que no século XIX houve então uma grande ascensão do darbyismo ou dispensacionalismo, que teve origem no movimento dos irmãos de Plymouth

“O arrebatamento pré-tribulacionista é uma elemento essencial desse sistema. O movimento dos irmãos teve início em Dublin, em 1825, Em 1827 Darby entrou para a irmandade, o movimento que se sobressaia entre os novos grupos que surgiram na Irlanda e na Inglaterra era a irmandade de Playmouth, da qual o movimento tirou o seu

nome” ( Ladd, 2016, P. 45)

Foi em powerscourt, onde Darby e outros líderes do movimento frequentavam as reuniões, lá o ensinamento de uma arrebatamento antes da tribulação tomou forma.

“ Tregalles, membro dos irmãos  Playmouth nesses primeiros dias, nos informa que a ideia de uma arrebatamento secreto em uma vinda secreta de Cristo teve sua origem

em uma “revelação” na igreja de Irving entendida como a voz do Espírito. Tregelles diz: “foi desde essa suposta revelação que surgiu a doutrina moderna e a fraseologia moderna a respeito do assunto. Não veio da sagrada escritura, mais daquilo que é falsamente atribuído ao espírito santo de Deus. Essa doutrina junto com outras importantes modificações da percepção futurista tradicional foram promovidas por

Darby e popularizadas pelos escritos de William Kelly” ( Ladd,  2016, p. 46)

Um exemplo dessas visões foi a de Margaret MacDonald nascida em 1815 na Escócia, A partir de 1826 e até 1829, alguns pregadores na Escócia enfatizaram que os problemas do mundo só poderiam ser resolvidos através de um surto de dons sobrenaturais do Espírito Santo. Essas experiências carismáticas ganharam grande atenção nacional. Muitos vieram ver e investigar esses eventos como Irving e Darby entre outros.

No entanto, os estudiosos acham que há grandes obstáculos que tornam essas acusações a respeito de Margaret insustentáveis. É claro que Darby considerava as

manifestações carismáticas de 1830 como demoníacas e não de Deus. Darby não teria emprestado uma ideia de uma fonte que ele claramente achava
demoníaca. Também Darby já havia escrito suas opiniões de arrebatamento pré-tribulacionista em janeiro de 1827, 3 anos antes dos eventos de 1830 e de qualquer expressão de MacDonald.

De qualquer forma a visão de Margaret foi usada como importante modelo de divulgação do arrebatamento secreto, após uma versão publicada em 1861 contendo cortes e edições importantes da sua visão com o objetivo de fortalecer a linha pré tribulacionista.

Biblia de Scofield –  O Dispensacionalismo chega na América

O pré tribulacionismo avança das terras inglesas para os EUA com muita força como uma reação ao pós-milenarismo. Vale lembrar que no começo do Século XIX, o pós-milenarismo era a interpretação prevalecente da profecia na américa do norte.

Começou em 1901, uma nova conferência em Long Island e foi lá que o plano para a bíblia de referencia incorporando um sistema dispensacionalista de interpretação ocorreu com o Dr C. I. Scofield

Scofield dividiu a história da salvação em sete “dispensações” no qual cada uma representava por uma aliança diferente entre Deus e o seu povo, ao contrário do que muitos pensam, o dispensacionalismo se desenvolveu em uma tradição reformada tanto Scofield como Chafes eram pastores ordenados pela igreja presbiteriana.

A escatologia dispensacionalista de Scofield se tornou bastante popular e aceita entre os evangélicos, teólogos como Darby, Moody, Chafes e Scofield ajudaram a
popularizar essa hermenêutica nas igrejas e no mundo, sem contar a própria mídia

com filmes como “deixados para trás” fizeram com que essa mensagem chegasse a todo o globo.

Conclusão

Podemos concluir após esse breve exposição citando a teologia sistemática: millard Erickson pág 1148 – 1167

“que há diversas razões pela quais a  posição pós-tribulacionista surge como a mais provável:

1 – A posição pré-tribulacionista envolve várias distinções que parecem ser artificiais e desprovidas de fundamentação bíblica. A divisão da segunda vinda de Cristo em dois estágios, a proposta de três ressurreições e a separação de Israel e igreja são difíceis de sustentar exegeticamente.

2 – Diversos textos especificamente escatológicos são mais adequadamente interpretados em uma perspectiva pós-tribulacionista.

3 – O conteúdo geral do ensinamento bíblico corresponde melhor á posição pós-tribulacionista, por exemplo as advertências bíblicas a respeito das provações”

Autor: Euber Lucas

Biografia
Teologia sistemática/ Millard J. Erickson – São Paulo: Vida Nova 2015
História do Cristianismo/ Bruce L. Shelly – 1. Ed. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018
Ladd, G. E. Esperança Abençoada: Um estudo bíblico da segunda vinda de Jesus. São Paulo: Shedd Publicações, 2016.Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica. 2ª Ed. Revisada e Ampliada: Shedd Publicações;
Livro história da igreja cristã W. Walter
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Euber Lucas Ribeiro

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