Por: Pr. Max Mendes
Muita gente acha que fé verdadeira é viver sem medo.
Mas quem caminha com Deus de verdade sabe: isso não é real.
Existe o medo de não ser salvo.
O medo de morrer e não ver a Deus.
O medo dos pecados que se repetem.
O medo de não estar vivendo como deveria.
O medo de não suportar até o fim.
Esses medos não nascem, na maioria das vezes, da incredulidade.
Eles nascem de um coração que leva Deus a sério.
Vivemos em um mundo que anda na contramão do Evangelho.
No mundo, obedecer é ser chamado de atrasado.
Santidade é vista como repressão.
Fidelidade é motivo de riso.
E quem decide viver segundo as Escrituras logo recebe rótulos:
retrógrado, ultrapassado, fora da realidade.
A Bíblia chama esse sistema de Babilônia.
Não apenas um lugar, mas uma mentalidade.
Uma forma de viver embriagada pelos prazeres, pelo ego, pelo agora.
Apocalipse diz que Babilônia oferece um cálice.
E esse cálice tonteia, confunde, embriaga os moradores da terra.
Ela promete liberdade, mas entrega escravidão.
Promete prazer, mas deixa vazio.
Promete vida, mas gera morte.
Por isso, viver o Evangelho hoje dói.
Porque nadamos contra a corrente.
Porque somos chamados a sair, não a nos misturar.
E sair tem custo.
Quando a fé entra em crise
Pouca gente fala sobre isso, mas a fé também passa por crises.
Não crises de abandono, mas crises de profundidade.
É quando a gente ora e ainda sente medo.
É quando a gente crê e ainda luta.
É quando a gente ama a Deus, mas odeia certas partes de nós mesmos.
O problema não é ter crise.
O problema é fingir que não tem.
A Bíblia nunca prometeu uma caminhada fácil.
Prometeu uma caminhada verdadeira.
Davi teve medo.
Elias quis desistir.
Jeremias chorou.
Pedro caiu.
Paulo lutou com a própria carne.
E nenhum deles foi rejeitado por isso.
E o medo de não ser salvo?
Essa talvez seja a dor mais silenciosa de muitos cristãos.
“E se eu morrer hoje?”
“E se eu não estiver com Deus?”
“E se meus pecados forem maiores que a graça?”
A Bíblia não ensina que o salvo é quem nunca cai.
Ela ensina que o salvo é quem não desiste de voltar.
Existe uma diferença enorme entre:
- lutar contra o pecado
- e fazer as pazes com ele
Quem luta, mesmo cansado, ainda está na guerra.
Quem se conforma, já se rendeu.
O medo que nasce do amor não afasta de Deus.
Ele empurra para mais perto.
O que entristece a Deus não é o filho que diz:
“Pai, tenho medo de cair.”
Mas o que diz:
“Pai, não preciso mais do Senhor.”
Viver fora da Babilônia tem preço
Ser cristão hoje não é popular.
Não dá palco.
Não rende aplauso.
Mas rende algo melhor: consciência limpa diante de Deus.
A fé bíblica não nos chama para viver anestesiados,
mas vigilantes.
Não nos chama para viver embriagados com o mundo,
mas sóbrios.
Não nos chama para sermos perfeitos,
mas perseverantes.
Por isso Paulo diz:
“Não desanimeis.”
Não porque é fácil.
Mas porque vale a pena.
Uma palavra pastoral para 2026
Se eu pudesse deixar uma palavra simples para este novo ano, seria esta:
Permaneça.
Permaneça mesmo com medo.
Permaneça mesmo em luta.
Permaneça mesmo cansado.
Permaneça mesmo sem entender tudo.
Jesus nunca disse que o ramo não sentiria vento.
Ele disse que o ramo ligado à Videira viveria.
Não é a ausência de crises que prova a fé.
É a decisão de não soltar a mão de Deus no meio delas.
Se você está com medo, ore.
Se está cansado, descanse em Deus.
Se caiu, levante.
Se está confuso, permaneça.
O Evangelho não é para quem nunca treme.
É para quem permanece mesmo tremendo.
Pr. Max Mendes
Criador do Canal Papo com Deus
e Fundador do Instituto Bíblico Discipular



